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Giuliana SantosAdvocacia Tributária

Contencioso

Execução fiscal: o que a empresa deve fazer após receber uma citação

Publicado em
Tempo de leitura
9 min de leitura
Autoria
Giuliana Santos Advocacia Tributária
Advogada analisa processo, legislação e informações financeiras relacionadas a uma cobrança tributária

A execução fiscal é a ação pela qual a Fazenda Pública cobra judicialmente um débito já inscrito em dívida ativa. Ela é regida pela Lei nº 6.830/1980 e tem procedimento próprio, mais simples e mais rápido que o de uma ação comum.

Para a empresa, ela costuma aparecer sem aviso prévio evidente, porque a inscrição em dívida ativa e o ajuizamento acontecem sem necessidade de nova notificação sobre cada etapa. A citação é, muitas vezes, o primeiro documento judicial do caso.

O que se faz nos primeiros dias depois da citação tem efeito direto sobre as alternativas que permanecem disponíveis.

O primeiro passo é a data

Antes de discutir se a cobrança é devida, é preciso saber quando a citação foi recebida. O artigo 8º da Lei nº 6.830/1980 prevê que o executado seja citado para, em cinco dias, pagar a dívida com juros, multa de mora e encargos indicados na certidão de dívida ativa, ou garantir a execução.

Esse prazo curto não significa que a empresa perca o direito de se defender ao deixá-lo passar. Significa que, a partir dali, a Fazenda pode requerer atos de constrição sobre bens e valores. A diferença prática entre agir dentro e fora do prazo costuma ser a diferença entre escolher a garantia e ter a garantia escolhida por decisão judicial.

Os caminhos disponíveis

Recebida a citação, existem quatro respostas possíveis, que não se excluem entre si em todos os casos:

  1. Pagar o débito, quando a cobrança é devida, o valor está correto e o caixa comporta a quitação.
  2. Garantir a execução, por depósito, seguro garantia, fiança bancária ou nomeação de bens, o que abre caminho para a defesa por embargos.
  3. Negociar o débito pelos instrumentos disponíveis para créditos inscritos, quando houver modalidade aplicável em vigor.
  4. Discutir a cobrança, por exceção de pré-executividade ou por embargos, conforme a matéria e a prova disponível.

A escolha depende do que a análise da certidão de dívida ativa revelar e da situação financeira da empresa. Não existe resposta padrão.

Embargos à execução

Os embargos são a via de defesa ampla dentro da execução fiscal. Neles é possível discutir qualquer matéria útil à defesa, inclusive aquelas que dependem de produção de prova.

O artigo 16 da Lei nº 6.830/1980 prevê o prazo de trinta dias para oferecê-los, contados do depósito, da juntada da prova da fiança bancária ou do seguro garantia, ou da intimação da penhora, conforme o caso. O mesmo artigo condiciona a admissibilidade dos embargos à garantia da execução, ponto que já foi objeto de discussão nos tribunais e comporta situações específicas.

Exceção de pré-executividade

Nem toda defesa exige garantia. A exceção de pré-executividade é a via para alegar matérias que o juiz pode conhecer de ofício e que não dependem de dilação probatória.

A Súmula 393 do Superior Tribunal de Justiça consolidou esse entendimento ao registrar que a exceção de pré-executividade é admissível na execução fiscal relativamente às matérias conhecíveis de ofício que não demandem dilação probatória.

Na prática, isso alcança situações que podem ser demonstradas com prova pré-constituída, como prescrição evidente ou ausência de requisito formal da certidão. Quando a alegação depende de perícia ou de produção de prova, a via adequada volta a ser a dos embargos.

O que verificar na certidão de dívida ativa

A certidão de dívida ativa é o título que sustenta a execução. Ela precisa permitir que o executado saiba exatamente o que está sendo cobrado e com que fundamento. A análise inicial costuma verificar:

  • Identificação correta do devedor e eventual inclusão de terceiros no polo passivo.
  • Origem do débito, com indicação do tributo e do período a que se refere.
  • Fundamento legal da cobrança e dos encargos aplicados.
  • Datas relevantes para aferir decadência e prescrição, considerando o artigo 174 do Código Tributário Nacional.
  • Memória de cálculo e composição do valor exigido.

Falhas nesses elementos não são detalhe formal. Elas afetam a possibilidade de o executado se defender e podem comprometer a validade da própria cobrança.

O que acontece quando nada é feito

A inércia não interrompe o processo. Transcorrido o prazo sem pagamento nem garantia, a Fazenda pode requerer medidas de constrição, e o juízo pode determiná-las.

  • Bloqueio de valores em contas bancárias por meio dos sistemas judiciais de constrição.
  • Penhora de bens, de faturamento ou de direitos da empresa.
  • Inclusão do débito em cadastros de devedores, com reflexo sobre crédito e contratos.
  • Pedido de responsabilização de sócios ou administradores, quando a Fazenda entende presentes os requisitos legais.

Nenhuma dessas medidas é automática, e todas comportam discussão. O ponto é que discuti-las depois de efetivadas costuma ser mais trabalhoso do que atuar dentro do prazo inicial.

Perguntas frequentes

É possível se defender sem garantir a execução?

Em parte. A exceção de pré-executividade não depende de garantia, mas está limitada às matérias conhecíveis de ofício que não exijam produção de prova, conforme a Súmula 393 do STJ. A defesa ampla por embargos segue a regra do artigo 16 da Lei nº 6.830/1980.

A empresa pode negociar o débito depois de citada?

A citação não elimina a possibilidade de negociação, já que a execução cobra débito inscrito em dívida ativa. A modalidade cabível e os efeitos sobre o processo dependem da norma em vigor e das condições do caso.

Sócio pode responder pela dívida da empresa?

O redirecionamento da execução a sócios ou administradores depende dos requisitos legais e é objeto de exigência probatória pelos tribunais. Não decorre automaticamente da falta de pagamento do tributo pela empresa.

O que é prescrição intercorrente?

É a prescrição que pode ocorrer no curso do processo, quando a execução fica sem localização do devedor ou de bens penhoráveis pelo período previsto em lei. O artigo 40 da Lei nº 6.830/1980 disciplina a suspensão e o arquivamento nessas situações, e sua aplicação foi objeto de julgamento vinculante no Superior Tribunal de Justiça.

Aviso

Conteúdo informativo, publicado para orientação geral. Não substitui a análise de um caso concreto, que depende dos documentos e das circunstâncias específicas de cada empresa.

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